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// 11 Fev  2019
 / 03 Mar  2019
Categoria de Evento:
11:00 - 12:00

“Love Wave” é um trocadilho apenas possível em inglês, dado que a sua tradução para português será “Onda de Love”. As “Ondas de Love” são ondas sísmicas de superfície, de elevado poder, e são a versão “sólida” das ondas que observamos, por exemplo, à superfície de um lago quando nele deixamos cair uma pedra, formadas a partir do ponto de impacto. Devem o seu nome ao matemático britânico Augustus Edward Hough Love, que em 1911 criou um modelo para a sua representação, no âmbito da teoria da elasticidade. Estas ondas sísmicas, poderosas, destrutivas e simultaneamente criadoras são aqui associadas às reacções energéticas que associamos ao amor, e por isso a designação “Love Wave” é perfeita.

Existe uma energia que tudo une, e todas as acções que desencadeamos encontram ecos em alguém ou alguma coisa. As emoções, boas e más, espalham-se como rastilhos. Perante grandes tragédias todos sentimos perturbações e perante grandes alegrias sentimos empaticamente alegria. Quando esta energia é aumentada (uns dirão potenciada) pela proximidade, física ou espiritual, de outra(s) pessoa(s) na nossa vida, então surge o “amor” (romântico, maternal, fraterno… ). Quando esta energia é aumentada por tudo o que nos rodeia, seguramente se poderá falar em “amor universal”, que é a admirável capacidade de amar tudo e todos, de nos apaixonarmos pela vida, sem esperar nada em retorno.

Aqueles de nós que foram expostos a partes infinitesimais desta grande energia, dificilmente lhe serão insensíveis, e assim começa um caminho de procura, de partilha, de auto-compreensão e busca de uma dimensão frequentemente esquecida das nossas vidas modernas, tecnológicas, rotineiras, sofridas ou confortáveis, e tão isoladas desta comunicação com o outro, com os outros, com o universo. Esteticamente, o fascínio das representações simbólicas, herméticas, mágicas, desde o sagrado coração ao Claddagh irlandês, passando pelo coração alado sufi, está presente nestas peças, apesar dos múltiplos filtros e reinvenções, da criação de novos símbolos, novos hieróglifos, influenciados pelas caixas surrealistas, especialmente de Joseph Cornell. São, assim, peças simbólicas, colecções de objectos inusitados, antigos e modernos, restos, ferramentas, jóias, vidros, pedaços de madeira, montados de acordo com um pensamento que lhes está associado, incorporado no objecto. Cada peça é a materialização de uma intenção, de uma história e transporta consigo essa carga, contém o símbolo do seu significado, e assim se transforma num novo ideograma, veiculando e promovendo a partilha da mensagem. Estas “intenções” são, na verdade, pensamentos, frases, ideias de muitos pensadores, filósofos, homens e mulheres de todas as nacionalidades, épocas e credos, que contribuíram para a sua própria “Love Wave” e por isso estas peças são também um convite para partir à descoberta de ideais universais que atravessam o tempo incólumes a modas e correntes.

Pedro Alves da Veiga é um artista transdisciplinar, licenciado em Engenharia Informática pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e doutorado em Média-Arte Digital pela Universidade do Algarve e Universidade Aberta. É investigador do CIAC – Centro de Investigação em Artes e Comunicação, tendo estado ligado durante mais de duas décadas à atividade empresarial, e contando com vários prémios de webdesign e multimédia. Atualmente desenvolve atividade artística em assemblage, programação criativa generativa, áudio-visuais digitais, e partilha regularmente resultados da sua investigação em conferências e publicações científicas especializadas sobre o papel social e as influências das economias da atenção e experiência no ecossistema da média-arte. As suas obras já foram expostas individual e coletivamente em Portugal, China e Estados Unidos da América. Mais informação em https://pedroveiga.com