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// 02 Ago  2019
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21:00

O concerto Mendelssohn e Schostakovich –paixão e desespero, é um recital de música erudita onde serão interpretados dois quartetos de dois dos maiores nomes da música europeia dos séculos XIX e XX: o Quarteto de Cordas N.º 8 em Dó menor, Op. 110, Às vítimas do fascismo e da guerra de Dimitri Schostakovich e o Quarteto de Cordas N.º 2 em Lá menor, Op. 13 de Felix Mendelssohn.
Ambas as obras serão interpretadas pelo Quarteto Ibéria, um grupo formado em 2017 e constituído por alunos de licenciatura e mestrado em música na Escola Superior de Música de Lisboa e na Academia Nacional Superior de Orquestra.

 

Dimitri Schostakovich (1906 – 1975)
Quareto de Cordas N.º 8 em Dó Menor, Op. 110, Às vítimas do fascismo e da guerra (1960)
(dur. aproximada 25 min.)
⦁ Largo
⦁ Allegro molto
⦁ Allegretto
⦁ Largo
⦁ Largo

 

O oitavo quarteto de Schostakovich é sem dúvida uma das obras mais famosas do compositor russo e uma das mais interpretadas atualmente. Isto deve-se ao facto de, por detrás da composição desta peça, haver todo um conjunto de curiosos eventos que o tornam assim o mais célebre dos seus quartetos de cordas. Entre as curiosidades que o tornam peculiar encontra-se o facto de ter sido escrito por Schostakovich em apenas três dias, entre 12 e 14 de Julho de 1960. A motivação para a escrita desta peça provém possivelmente de dois eventos traumáticos na vida do compositor: os primeiros sinais de uma doença muscular que viria mais tarde a ser diagnosticada como esclerose lateral amiotrófica e também a sua adesão relutante ao Partido Comunista.
O quarteto é dedicado “Às vítimas do fascismo e da guerra”, embora existam várias teorias de que o compositor o tenha inicialmente dedicado às vítimas do totalitarismo, tendo sido obrigado pelas autoridades russas a alterá-lo. É também inegavelmente uma silenciosa homenagem a si mesmo, tendo sido escrito como uma espécie de epitáfio em que Schostakovich previa já a sua morte: o tema principal de todo o quarteto é baseado nas suas iniciais DSCH – em música, Ré, Mi, Dó, Si.
Existe também uma ligação histórica entre a escrita deste quarteto e o bombardeamento da cidade de Dresden em 1945. Era nesta cidade que Schostakovich se encontrava quando escreveu esta peça, trabalhando na banda sonora de um filme precisamente sobre a destruição da cidade quinze anos antes. Assim, é possível ouvir na sua música diversas referências sonoras ao horror do bombardeamento: o pânico no segundo andamento, as labaredas no terceiro, a queda das bombas no quarto.
O quarteto está também carregado de citações a outras obras do compositor, entre elas o primeiro Concerto para Violoncelo, a primeira e quinta Sinfonias e Lady Macbeth, entre outras. Esta obra foi estreada em Leninegrado em 1960 pelo Quarteto Beethoven, embora a sua mais célebre interpretação seja a do Quarteto Borodin dois anos mais tarde em casa do próprio Schostakovich em Moscovo, sendo por isso talvez a interpretação que mais se aproxima da ideia inicial do compositor.

 

Felix Mendelssohn (1809 – 1847)
Quarteto de Cordas N.º 2 em Lá Menor, Op. 13 (1827)
(dur. aproximada 30 min.)

Adagio – Allegro Vivace
⦁ Adagio non lento
⦁ Intermezzo: Allegretto con moto – Allegro di molto
⦁ Presto – Adagio non lento

 

O Quarteto de Cordas N.º 2 em Lá menor foi escrito em 1827, quando Mendelssohn tinha apenas 18 anos de idade e é frequentemente considerado como uma das primeiras obras da maturidade do compositor. Foi escrito meses após a morte de Ludwig van Beethoven (1770-1827), sendo talvez por isso tão visível a influência dos seus últimos quartetos nesta peça. Altamente inspirado por este seu predecessor, o jovem Mendelssohn reflete no Op. 13 várias ideias exploradas por Beethoven na fase final da sua obra, sendo a forma cíclica a que mais desenvolveu e explorou. Assim, Mendelssohn inicia e conclui o quarteto com uma citação, ouvida no primeiro violino, da sua canção Ist es wahr? (Será verdade?), o que confere um caráter cíclico e coerente a toda a obra.
Embora o quarteto reflita intensamente a influência de Beethoven, algo de único, inovador e contrastante com a sua música sobressai: em toda a peça está presente uma atmosfera claramente romântica, onde Mendelssohn expõe sem pudor os mais profundos e violentos sentimentos humanos, desde a paixão ao desespero, da mais sincera alegria ao mais triste abandono – talvez um reflexo da juventude do compositor, visível apenas na forma intensa como faz uso das emoções e consegue transmiti-las sublimemente à audiência.

 

// Galeria (1º Piso) // Entrada 3€

 

O Quarteto Ibéria é um quarteto de cordas semi-profissional, constituído por alunos de licenciatura da Academia Nacional Superior de Orquestra e alunos de mestrado da Escola Superior de Música de Lisboa. Formou-se em Setembro de 2017 e tem vindo a desenvolver o seu trabalho sob a tutela dos professores Paul Wakabayshi e Paulo Pacheco, tendo-se apresentado em público em diversas ocasiões, integrando os ciclos de Música de Câmara da Orquestra Metropolitana de Lisboa e da Academia Nacional Superior de Orquestra. Teve também a oportunidade de participar em diversas masterclasses com professores e quartetos de renome internacional, tais como Jonathan Brown (Quarteto Casals), Isabel Charisius (Quarteto Alban Berg), Veronika Hagen (Quarteto Hagen) e Kyril Zlotnikov (Quarteto de Jerusalém) e festivais de música, tais como o Verão Clássico no Centro Cultural de Belém.